Outubro: a maior subida da prestação em três anos (e o que fazer agora)
Atualizado em 12 de outubro de 2026
Na revisão de outubro, a prestação pode subir até 91€ por mês num crédito de 150.000€. Vale a pena comparar o crédito antes de mudar de banco.
TiagoAutor
12 de outubro de 2026
4 min de leitura
Em outubro, muita gente vai abrir o extrato e a prestação da casa vai estar mais alta.
Não é impressão. Pelo que o ECO publicou, é a maior subida em três anos.
Deixo aqui os números, com fonte. A reação habitual é olhar para o valor novo e decidir à pressa, e isso costuma correr mal.
Os números#
A revisão de outubro usa a média da Euribor de setembro. Setembro subiu nos três prazos.
Médias mensais no euribor-rates.info, com dados do BCE/Eurosistema (abre num novo separador):
- 3 meses: 2,635% (2,513% em agosto)
- 6 meses: 2,922% (2,713% em agosto)
- 12 meses: 3,247% (2,954% em agosto)
A 12 meses passou os 3% pela primeira vez em dois anos (idealista, 1 de outubro de 2026 (abre num novo separador)).
Na prestação, o ECO simulou a 30 de setembro (abre num novo separador) um crédito de 150.000€, a 30 anos, com spread de 1%:
- Euribor a 3 meses: de 660€ para 685€ (mais cerca de 25€)
- Euribor a 6 meses: de 658,8€ para 708,7€ (mais cerca de 50€)
- Euribor a 12 meses: de 646,4€ para 737,3€ (mais cerca de 91€, ou 14%)
Na Euribor a 12 meses, o ECO aponta a maior subida desde dezembro de 2023. A 3 e a 6 meses, desde outubro de 2023.
91€ a mais por mês, durante os 12 meses até à revisão seguinte, são cerca de 1.092€. É a simulação deles, não o teu contrato. Depende do capital em dívida, do prazo que falta e do spread.
Quem sente isto#
Não é só quem já está em taxa variável, e já são muitos.
Cerca de 46% dos empréstimos para habitação própria e permanente são a taxa variável. Os números são do Banco de Portugal, de agosto, citados pelo idealista (abre num novo separador). A taxa mista já representa 49% desse stock. O período fixo, porém, costuma ser curto: dois, três ou cinco anos. Quando acaba, a prestação passa a seguir a Euribor.
Se a tua taxa mista está a chegar ao fim, estás nesta conversa. A carta é que ainda não chegou.
Sente-se mais nos créditos recentes, em que os juros pesam mais na prestação, e nos montantes mais altos.
A prestação nova não chega#
Quando a prestação sobe, há quem encolha os ombros ("é a Euribor") e há quem queira mudar de banco no próprio dia. Percebo as duas. Nenhuma é ainda uma decisão.
O extrato diz o que vais pagar este mês. Não diz se o spread ainda aguenta, quanto levam os seguros, nem o que custa sair. E pagar menos por mês não quer dizer pagar menos à maturidade
O que eu compararia#
Punha a FINE do crédito atual ao lado de propostas a sério: renegociar no banco onde estás, ou transferir para outro. A mesma régua nos dois lados.
Olho por esta ordem.
A TAN primeiro: indexante mais spread. Se o spread é antigo, por vezes ainda se mexe.
A TAEG a seguir. Junta juros e encargos, e é o número menos mau para comparar propostas umas com as outras.
O MTIC, o montante total imputado ao consumidor, é o que pagas até ao fim do contrato. É aqui que uma prestação mais baixa se pode revelar cara.
Os seguros, de vida e multirriscos. Em muitas transferências, a diferença está aqui e não no spread.
Depois, o que custa mudar: avaliação, abertura de processo, escritura, registos, imposto do selo. Vinte euros poupados por mês demoram a pagar uma mudança com custos à cabeça.
A comissão de reembolso antecipado. Na taxa variável está limitada a 0,5%. Há um projeto de lei para a tirar, aprovado na generalidade, mas ainda não é lei (idealista, 1 de outubro de 2026 (abre num novo separador)).
E o tipo de taxa. Passar a mista, ou renovar o período fixo, compra alguma estabilidade. Falta ver a que taxa, e durante quantos anos.
Se a comparação disser para mudar, muda. Se disser para ficar, fica. As duas respostas servem, desde que venham dos números.
Onde a fineMind entra#
Construí a fineMind para este trabalho.
Lê a FINE que tens e as das propostas novas. Põe a TAN, a TAEG, o MTIC, os seguros e as comissões lado a lado, e mostra onde o custo muda. Sem passares PDFs para o Excel.
Não decide por ti. Os números ficam à vista; a decisão é tua, e de quem te acompanha no crédito. Não dá aconselhamento financeiro: não conhece a tua vida como um intermediário conhece. E não tenta adivinhar a Euribor. Isso não sabemos fazer. Ninguém sabe.
Se és intermediário#
Este mês os clientes vão ligar.
Vão querer falar da prestação. A conversa que lhes serve é outra: a FINE deles contra duas ou três alternativas reais, com o total à vista.
Se o trabalho manual não te deixar fazer isto para toda a gente, começa por quem tem Euribor a 12 meses e por quem está a sair do período fixo.
Se tens crédito#
Vê qual é o teu indexante e quando cai a próxima revisão. Pede a FINE de qualquer proposta que te ponham à frente. Sem isso, não há comparação que valha. Fala com um intermediário de crédito, ou com o teu banco, antes de assinar.
A Euribor segue o caminho dela. O crédito, esse, ainda podes rever.
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